XVII Congresso Brasileiro de Aterosclerose

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Dados do Trabalho


Título

AVALIAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL DE INDIVÍDUOS COM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

Resumo

INTRODUÇÃO

As doenças cardiovasculares (DCV) são consideradas as principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. Estudos recentes sugerem a atuação da microbiota intestinal na geração de metabólitos microbianos envolvidos no desenvolvimento de DCV. Dentre os metabólitos negativamente associados, temos a produção de trimetilamina-N-óxido (TMAO), um metabólito produzido pela L-carnitina e Colina. O TMAO está presente nas placas ateroscleróticas onde possui propriedades pró-inflamatórias, sua produção é exclusivamente dependente de bactérias intestinais, principalmente gram-negativas.

Este estudo tem por objetivo avaliar a microbiota intestinal de indivíduos com infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento de segmento ST.

MÉTODOS

Foram coletadas as fezes de 77 indivíduos nos momentos: hospitalar (até 24 hs após o infarto), 30 e/ou 180 dias após o infarto, totalizando 148 amostras. O DNA total da flora intestinal foi extraído com o kit PSP Spin Stoll DNA Plus. Para análise da metagênomica, os dados foram processados pela plataforma Miseq (Illumina) e analisados pelo software Illumina 16S Metagenomics que executa a classificação taxonômica da região v3/v4 do gene 16S rRNA por meio do banco de dados GreenGenes, utilizando o algoritmo de classificação taxonômica RDP Naïve Baye. Com os dados obtidos foi realizada análise estatística pelo Test t Student, não pareado, com nível de significância de 5%.

RESULTADOS

A análise da microbiota no período hospitalar do IAM, 30 dias e 180 dias mostrou uma evolução gradualmente mais favorável na relação entre firmicutes/bacteriodetes, sugerindo uma microbiota mais saudável ao longo do tempo, conforme Fig 1.

Observamos aumento significativo de bactérias do filo Synergistetes (Fig 2), bactérias do tipo gram-negativas consideradas oportunistas, como por exemplo na peridontite.

Além do filo Synergistetes, outros dois filos tiveram aumento na flora intestinal após o primeiro mês pós infarto, o Lachnospira pectinoschiza (produtora de butirato), que acredita-se fornecer para região infartada do miocárdioe o Ruminococcus albus. Outros foram reduzidos no mesmo período (Enterobacter aceae, Ruminococcus gnavus, Serratia entomophila).

CONCLUSÃO

O estudo mostra uma modificação favorável progressiva após o IAM. Assim, a partir destas análises, inéditas em humanos, em pacientes com infarto, poderemos como a microbiota intestinal pode estra correlacionada com o infarto agudo do miocárdio.

 

Área

Pesquisa Básica

Instituições

FACULDADE DE CIENCIAS MÉDICAS – UNICAMP - Sao Paulo - Brasil, UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - Sao Paulo - Brasil

Autores

JULIANA TIEKO KATO, Joao HENRIQUE FABIANO MOTARELLI, ANDREY DOS SANTOS, MARIO JOSE ABDALLA SAAD, HENRIQUE ANDRADE FONSECA, FRANCISCO ANTONIO HELFEINSTEIN FONSECA